
estrangeira, montei empresa familiar na mooca baixa faz quase dez anos e todo dia atravesso a cidade num transito cão para ganhar o pão lá, que é perto da zona "lost", que tem lixo nas calçadas, não tem vaga nunca, todo mundo se conhece, tá do lado da boca mas ninguém te rouba e tem o mais forte sólido e lindo e antigo comércio e indústria do país , tá grudada na zona cerealista plena de caminhões gigantes cheios de batatas e cebolas e nos armarinhos com prateleiras de duzentos metros de aviamentos, zipers, passamanarias, linhas de todas as cores, academia gratuita ao ar livre debaixo do viaduto super completa com box e muita gente malhando de graça na maior boa, escolas técnicas boas e faculdades ruins, é o mundo do ofício, da oficina do chão de fábrica e não das carreiras, não tem o que não tenha na mooca, a burguesia da mooca alta se refastela no Di Cunto e a classe média se entope de esfiha no Juventus, a farmácia parece um supermercado e o cara sabe tudo que você precisa porque te conhece, a Visconde de Laguna é " a rua " e tem tudo pela metade do preço do campo belo ou da vila madalena, parece outra cidade, no mais, tem a festa de san genaro na minha rua, encravada na frente da janela da minha pequena fábrica onde escuto várias vezes por dia o apito do trem (é serio, e nem eu acredito!) e o sino da igreja na minha altura, que é o segundo andar de onde eu descanso o olhar vendo a torre do banespa, a silhueta da cidade prédios prédios prédios... e um por de sol vermelho, e a açougueira gorda de bermuda fazendo entregas de bicicleta, ela que pintou o açougue de vermelho ferrari, não sou bairrista para dizer que amo a mooca, mas sem ela eu não faria entregas no jardins, sem ela não veria centenas de velhos saudáveis corados simpaticos que me chamam de lindinha indo para o banco pegar sua aposentadoria...é de lá que eu tiro o meu sustento, não acaba mais o texto da mooca, vou para lá então, que tá tarde, se eu fosse de lá não chegaria na empresa as dez horas e sim rigorosamente as oito....
